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Celebrações de Navegantes e Iemanjá levam orações para o mar em Garopaba e região

festa de iemanja
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Dois de fevereiro é o dia de celebrar as forças femininas do mar. A mesma data que celebra a santa católica que protege os pescadores, Nossa Senhora dos Navegantes, é a data de Iemanjá, a divindade africana das religiões Candomblé e Umbanda.

A data não é por acaso, já que as religiões de matriz africana não podiam ser praticadas e eram obrigadas a “disfarçar” suas crenças em meio às cristãs, durante a colonização do Brasil.

Maracatu Baque Encantado reúne mais de 200 pessoas na Festa para Iemanjá

A Praia da Ferrugem canto sul virou palco da festa popular brasileira que cantou, dançou e levou flores para Iemanjá, a Rainha do Mar

O evento em homenagem a orixá Iemanjá teve início na tarde de dois de fevereiro, ao pé do Morro do Índio, no canto sul da Praia da Ferrugem, que faz divisa com a Praia da Barra. O encontro itinerante de mantras Quem Mantra seus Males Exxxpanta, conduzido pelo facilitador de vivências holísticas Alecrim Correa deu início às festividades.

Em círculo, com um altar ao centro, os participantes unificaram vozes e instrumentos cantando músicas de oração pelo bem da humanidade e pela harmonia de todos os seres. O encontro itinerante acontece há mais de 10 anos e não tem conexão com uma só religião. Rezos e cantos de diferentes linhas são bem-vindos.

Na sequência, foi a vez do Maracatu Baque Encantado. O grupo regido pelo Kamila Pacheco e Daniel Ferrão, se formou em 2016, e é composto pelos batuqueiros (músicos) tocando gonguês, caixas, alfaias e agbês (instrumentos percussivos do Maracatu), muitas vozes, as catirinas, aquelas que conduzem os passos de dança e a porta-estandarte, que carregava a bandeira do Baque Encantado abrindo a passagem. Os cantos contam sobre as coroações de reis e rainhas do Congo africano e também saudaram a Iemanjá, a “Sereia do Mar”.

O Maracatu é um dos ritmos populares mais importantes e antigos do Brasil. Registros datam de meados do Século 18 no estado de Pernambuco. É uma cultura popular brasileira que envolve música, dança e história remetendo à cultura africana, indígena e portuguesa. Em 2014 o Maracatu Nação recebeu o título de Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil e é celebrado oficialmente em 1º de agosto – Dia Nacional do Maracatu.

“Celebrar o dia de Iemanjá, a rainha do mar, sempre será forte e renovador. Dançar ao som dos tambores, faz parte do meu eu, da minha essência. Transbordar alegria e axé no Baque Encantado é nutridor”, conta a Tatiana Bond, que toca agbê, um instrumento de origem africana, feito de cabaça revestida com rede de miçangas coloridas.

“Os movimentos da dança tem o seu significado, a sua representação dentro do Baque, auxilia a traduzir o que está sendo contado através das toadas (da música), que remetem à cultura africana, indígena e portuguesa. É na  dança que me fortaleço e aprendo no coletivo, que todos têm o seu espaço e que é na diversidade de opiniões e relações, que evoluímos. Considero o Maracatu como fonte de grande aprendizado. Axé!”, encerra.

Não demorou para que uma multidão se reunisse no entorno do Baque Encantado, seguindo uma dança fluida como as ondas do mar e repetindo os versos das cantigas. Recebendo as flores que o público do evento trazia, o cortejo seguiu até a beira do mar, onde aconteceram as expressões de fé através das oferendas de flores, pedidos e agradecimentos ganharam espaço. 

Nem a chuva atrapalhou a festa, aliás foi bem-vinda com o calor gerado pelo movimento dos corpos. O cortejo pelo Dia de Iemanjá encerrou com uma grande ciranda. Todos de mãos dadas, cantaram e giraram em uma expressão de união. “Foi uma verdadeira cerimônia, um espetáculo em homenagem a Iemanjá, essa energia que nos rege e guia no mar e também na terra. Reuniu uma força conjunta potente e de luz em frente ao mar”,conta a Paloma Paz, que esteve presente no evento.

“Os encontros de Iemanjá têm sido bem especiais. A cada ano vem mais gente, nossa galera, junto com turistas, esse clima de reverência, de gratidão, à beira mar. A gente fica cheio de alegria por alguns dias”, comenta o Erick Sunny, membro do Baque Encantado. “E também nessa vibe de agradecimento, 90% do grupo não nasceu aqui na região e veio pra cá para estar em conexão com o mar, morando ao ladinho de Iemanjá. Ela que reuniu todo mundo para estar aqui.” 

O evento de Iemanjá arrecadou mais de 100 quilos de alimentos não perecíveis para as comunidades indígenas da região.

Sobre Iemanjá

O nome de Iemanjá tem origem nos termos do idioma Iorubá (língua nígero-congolesa) “Yèyé omo ejá”, que significa “Mãe cujos filhos são como peixes”. É considerada a mãe de todos os adultos e a mãe dos orixás. Segundo D. M. Zenicola, “representa o poder progenitor feminino; é ela que nos faz nascer, divindade que é a maternidade universal, a Mãe do Mundo”. 

Conhecida no Brasil também como Dona Janaína, é considerada a orixá mais popular, festejada com festas públicas e desenvolveu profunda influência na cultura popular, música e literatura. É também celebrada em diversos países da América do Sul, Caribe e também nos Estados Unidos, com diferentes nomes e histórias. 

Como sua origem é de países da África, e com uma história apagada dos registros literários e culturais, as homenagens para Iemanjá são diferentes em todas as partes, com diversos contos e representações. “É importante destacar que a cultura religiosa afro não está na muito presente literatura. A maior parte deste conhecimento passado pela oralidade, através de contos”, explica Maykom Pereira, que experiencia práticas das religiões de matriz africana.

“Muitas informações da cultura e da religiosidade que acompanham os cultos para Iemanjá foram perdidos e adaptados por uma influência colonial aqui no Brasil. O processo de invasão colonial, que se deu por meio da escravidão, da perseguição religiosa, e que se reflete no racismo estrutural atual, ocasionou diversas perdas para essas religiões e culturas.”

Festa de Nossa Senhora dos Navegantes segue até domingo no Centro de Garopaba e em Ibiraquera

A Paróquia São Joaquim, em Garopaba, e a Igreja que tem como padroeira a santa homenageada, em Ibiraquera, seguem com as festividades em celebração a Nossa Senhora de Navegantes até domingo (05). Missas, procissão e apresentações culturais compõem a programação que pode ser conferida abaixo:

Por Glaucia Rosa Damazio, com colaboração de Erick Sunny
Fontes: Brasil Escola, Aldeia Santa, Grupo Baque Encantado

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