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Poluição do ar: entenda por que a transição energética deve acontecer já!

Poluicao do ar
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A “ideologia do desenvolvimento” e do capital acima de tudo é o modelo que está levando a sociedade como conhecemos a uma crise irreversível

A poluição do ar existe toda vez que resíduos (sólidos, líquidos ou gasoso), produzidos por microorganismos ou lançados pelo homem na natureza, são superior à capacidade de absorção do meio ambiente, provocando alterações na sobrevivência das espécies. (Velisind e Morgan, 2011)

A Saberes trouxe o conteúdo compilado pelos professores Ma. Paula Tramontim Pavei e Dr. Carlyle Torres Bezerra de Menezes, do curso de Pós-Graduação Sustentabilidade: meio ambiente, organizações e negócios sustentáveis da UNESC para mostrar o quão grave é nossa crise ambiental.

Quanto ar consumimos?

O ser humano precisa de Oxigênio para sobreviver. Nenhuma novidade. Mas você sabe quanto?

A cada respiração, precisamos de aproximadamente 300 a 400mL de ar.

Isso dá 6 a 8 litros por minuto

E de 8 a 12 mil litros por dia!

Quanto desse número é de poluentes atmosféricos?

Até pouco tempo, a poluição atmosférica era vista somente como um problema local, porque a preocupação inicial era apenas com as indústrias que estavam próximas da população. Atualmente, a preocupação evoluiu para outros problemas, com destaque para os automóveis, principalmente nas grandes cidades.

Levaram muitas décadas para o ser humano ter consciência de que a poluição atmosférica não se limita somente a um pequeno espaço confinado. Ela viaja para todos os locais, levando a poluição para lugares distantes de suas fontes emissoras. Estudos revelam que alguns poluentes que se formam em locais confinados podem se propagar através dos continentes, em especial os poluentes pouco reativos e os materiais particulados, que dependem, essencialmente, da topografia, da estabilidade atmosférica e das condições meteorológicas da região.

Os principais poluentes do planeta

Estudos atuais sobre poluição do ar estão trazendo diversos resultados a respeito das reações químicas que estão na atmosfera e seus comportamentos quando são submetidas a alguma variação climática. Esses estudos também se preocupam com as concentrações, as transformações, os transportes e as contaminações em escala local, regional e global, incluindo o impacto no ambiente e na saúde da população.

Os poluentes que são emitidos na atmosfera têm duas classificações: primários – aqueles emitidos diretamente da fonte para o ar, entre eles, os mais estudados são os óxidos de nitrogênio (NOx), o dióxido de enxofre (SO2), o dióxido de carbono (CO2), o monóxido de carbono (CO), o metano (CH4), os hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPA), os compostos orgânicos voláteis (COV) e os Materiais Particulados (MP).

Quando estão na atmosfera, esses compostos podem converter-se em poluentes secundários, que se formam pelas reações químicas dos poluentes primários na atmosfera.  O destaque fica para os foto-oxidantes, especialmente os Nitratos de Peroxiacil (PAN) e o Ozônio (O3). E todos eles são passíveis de impacto a humanos, animais, florestas, agricultura, ecossistemas e materiais.

A comunidade científica internacional tem uma enorme preocupação com os efeitos de alguns poluentes tóxicos e excessivamente reativos, emitidos e formados na atmosfera. Por isso, iniciativas de vários órgãos nacionais e internacionais alertam para a urgente necessidade de controlar a emissão desses poluentes.

Mas, infelizmente, os dados e os primeiros efeitos da crise climática ainda não foram suficientes para que uma mudança em grande escala de fato fosse realidade.

Impactos da poluição do ar

A poluição do ar impacta em todo o meio ambiente, não apenas na saúde humana. Vivemos uma situação de crise socioambiental sem precedentes na história. Entre os impactos diretos, já observáveis deste sistema organizacional que ainda enxerga a natureza como “fonte” de recursos estão todos estes.

  • Erosão intensiva da biodiversidade e sociobiodiversidade;
  • Ressecamento dos tecidos das folhas e descolora mento;
  • Desertificação;
  • Chuva ácida;
  • Mudanças climáticas;
  • Ameaças à saúde com aumento de doenças decorrentes da poluição e doenças contagiosas.

Além disso, cada um dos poluentes apresenta diferentes consequências ao ser humano, dependendo do nível de concentração, que podem causar problemas como:

  • Irritações no aparelho respiratório e nos olhos,
  • Envelhecimento precoce;
  • Tosse e catarro;
  • Impactos no fígado e no baço
  • Agravamento das doenças respiratórias e cardiovasculares já existentes;
  • Agravamento de problemas cardíacos já existentes;
  • Deficiência da capacidades psicomotora;
  • Dores de cabeça;
  • Tonturas;
  • Taquicardia;
  • Alucinações;
  • Depressão;
  • Asfixia;
  • Câncer;
  • Morte.  

Parece um filme de terror, não é? E isso tudo está acontecendo nesse exato momento.

O efeito estufa

A única grande vilã da crise climática é ação humana, potencializada por um aumento populacional. Mas alguns efeitos em desequilíbrio, acabam passando de malvados, como é o caso do Efeito Estufa.

O efeito estufa é um fenômeno natural, que permite a temperatura ideal para que haja vida no planeta. Na atmosfera, a composição dos gases é de cerca de

  • 78% de Nitrogênio,
  • 21% de Oxigênio,
  • 0,93% de Argônio
  • 0,04% de Gás Carbônico, entre outros gases.

Com o aumento da emissão de Gás Carbônico (CO2), proveniente principalmente da queima de combustíveis fósseis, começa o desequilíbrio. O CO2 é responsável por 80% do aquecimento global. Antes da era industrial, a quantidade de CO2 emitida no planeta estava na escala de 275 ppm. Atualmente, já está acima de 400 ppm. Sendo a queima de combustíveis fósseis, os principais responsáveis, tais como o carvão, o petróleo e o gás, além dos desmatamentos e queimadas de florestas, como por exemplo, a perda da Amazônia, do Cerrado e da Mata Atlântica.

Camada de Ozônio

A camada de Ozônio é responsável por “filtrar” as radiações solares, impedindo que grande parte dos raios ultravioletas cheguem até a superfície do solo (o que “torraria” as pessoas, animais e plantas). Os gases contendo clorofluorcarbono (CFC) são os maiores responsáveis pela destruição desta camada.

Poluição Atmosférica e as Crises globais

Segundo o Prof Carlyle, a atual crise socioambiental é na realidade um encadeamento de crises globais:

Crise ecológica: o modo de “produzir” e de “consumir” está levando o planeta ao esgotamento e a destruição dos recursos naturais;

Crise econômica e financeira: agravada com a falência do modelo capitalista hegemônico atual recente crise de 2007/09);

Crise energética: o uso de combustíveis fósseis (carvão, petróleo e gás), além da demanda por uso intensivo de energia está causando graves problemas ambientais de ordem planetária, tais como as mudanças climáticas e o aquecimento global;

Crise alimentar: é resultado não da falta de alimento, mas, da sua distribuição e da forma injusta de acesso aos recursos naturais por parte da maioria da população, e à concentração da riqueza e da terra por uma minoria da população;

Crise do trabalho: as transformações tecnológicas levaram a formação populações marginalizadas e excluídas do processo de modernização;

Crise ético-cultural: o individualismo, o egoísmo e a competição desenfreada, com a supremacia do mercado, vêm destruindo as relações antes solidárias entre grupos e populações, levando a inversão de valores e ao desprezo por culturas tradicionais e comportamentos éticos.

A poluição e degradação do meio ambiente, devido ao uso dos recursos naturais de forma inadequada; O uso de forma intensiva de combustíveis fósseis e nucleares; A produção de grãos em grandes latifúndios e a destruição de florestas, entre outras formas de degradação.”

Dr. Carlyle Torres Bezerra de Menezes

Sustentabilidade ou morte!

Então, é isso. Vamos todos morrer?

As mudanças climáticas são uma evidência do modelo insustentável em que estão fundamentadas as formas de produção e consumo da sociedade atual. Torna-se cada vez mais urgente e necessária uma mudança de paradigmas nas formas de organização da sociedade.

Novas formas de produção, a partir do uso dos recursos naturais em uma nova racionalidade ambiental, a partir de uma nova matriz energética, e com base no uso prudente e responsável dos recursos renováveis.

É preciso que aconteça uma descarbonização radical dos sistemas de produção, a transição energética urgente, pois os efeitos das mudanças climáticas, além de já estarem acontecendo, levarão anos para atingir o equilíbrio novamente.

É interessante como as pessoas não estão desesperadas, ao contrário, estão ocupadas e distraídas demais para garantir o futuro de um planeta habitável para seus filhos e netos. É preciso descontruir o sistema desde suas bases, que colocam o ganho financeiro a curto prazo acima do bem-estar das pessoas e do meio ambiente, antes que isso nos custe a vida.

Para aprofundar

No Brasil, existem redes de monitoramento que comunicam a população sobre os níveis de poluição atmosférica de forma séria e científica.

Conheça: O Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas (INCT-MC)

A Rede Clima: Mudanças Climáticas Globais no Brasil

INPE: Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais

Os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU

Sistema Windi de monitoramento da qualidade do ar

Fonte: Ma. Paula Tramontim Pavei
Mestre em Ciências Ambientais (2008) e Engenharia Ambiental (2005) pela Universidade do Extremo Sul Catarinense – UNESC. Foi consultora do Laboratório de Análise de Emissões Atmosféricas do Instituto de Pesquisas Ambientais e Tecnológicas do IPAT – IPARQUE/UNESC (2014-2016). Membro do Conselho Estadual do Meio Ambiente de Santa Catarina (CONSEMA) e Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente de Criciúma (CONDEMA).

Dr. Carlyle Torres Bezerra de Menezes
Possui graduação em Engenharia de Minas pela Universidade Federal de Pernambuco (1985), tendo realizado curso de pós-graduação na França no Instituto Nacional Politécnico da Lorraine (1996/1997), doutorado em Engenharia Mineral pela Universidade de São Paulo (2004), com ênfase em gestão ambiental dos recursos minerais e pós-doutorado no Programa Pós-graduação em Sociologia Política da UFSC, no Núcleo Transdisciplinar de Meio Ambiente e Desenvolvimento, com ênfase em “Ecodesenvolvimento Territorial e Gestão dos Recursos Comuns (2015/2016). Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq, nível 2 no período de 2012 à 2015. Tem atuado na perspectiva interdisciplinar nas áreas de engenharia e geociências, bem como em representações externas no contexto da inserção social da instituição ao qual está vinculado, tais como em conselhos gestores de unidades de conservação, conselhos municipais de meio ambiente, bem como em fóruns regionais e nacionais em temáticas socioambientais. Do ponto da experiência e produção acadêmica e profissional tem atuado nas questões relacionadas a recuperação de áreas degradadas e restauração ecológica, gestão pública ambiental em unidades de conservação, gestão integrada de ambientes costeiros, mineração e meio ambiente, gestão e restauração de recursos hídricos. Atualmente é presidente da Comissão Permanente de Meio Ambiente e Valores Humanos da UNESC.


Por Glaucia Rosa Damazio
Jornalista

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