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Somos Feitos de Histórias

Dri Txarani
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Por Dri Txarani

É importante dizer o óbvio pra branquitude. Mesmo que não vejam diferença entre preto e branco, essas diferenças existem, os caminhos de uma mulher preta é bem diferente de uma mulher branca.

As oportunidades são distintas e isso está intrinsicamente relacionado com a cor da minha roupagem original, que é a minha pele preta.

É sobre isso que tô falando e escrevendo que incomoda muita gente.

Quando coloca o ativismo ou o “levantar a bandeira pra uma causa” num tom que soa desnecessário, isso me atravessa pq afinal quem tira a vida das pessoas não somos nós que levantamos as bandeiras, rola uma grande inversão de valores aqui, quem apontam as armas não somos nós.

Pessoas negras morrem em razão do racismo, mulheres pretas que chegam em círculos de mulheres brancas são vistas e tratadas diferentes sim, mulheres pretas são colocadas em esteriótipos violentos e racistas com relação às nossas corpas em espaços DIVERSOS. Eu transito e vivo essa experiência, e ainda assim ouço que o dia da Consciência Negra é “mi mi mi”.

Quem me conhece vê a mulher que sou e as que estão no meu círculo de afetos. Sou justa, solidária, carinhosa, não nego conforto e ajuda para ninguém e isso aprendi no axé.

Ainda assim, vou ser mal interpretada, vou perder parcerias “potentes”, vou ser taxada de agressiva por pessoas que tem medo de reconhecer que sim, somos diferentes e que sim precisam das nossas tecnologias para continuar, por que o mundo da voltas camara.

É sobre saber nosso lugar no mundo, para aí sim atravessar a cor da pele e uma fusão potente de seres unificarem em prol de uma mesma causa: cultura da paz.

Em tempos de refinamentos finos e escolhas potentes que me trazem até o Sul, não pretendo silenciar quando me sentir atravessada.

Vocês brancos que promovem festas “conscientes” entendam que consciência se fomenta através de diálogos capazes de mobilizar estruturas que subvertam as narrativas distorcidas sobre nossas histórias, isso é articular mudanças e revoluções desde a raiz. Isso é semear a consciência.

Por Dri Txaraní
Terapeuta Corporal, facilitadora do Laboratório Decolonial Corpo e Ancestralidade